Gerações de Literatura Digital
Referências
FLORES, Leonardo. Literatura eletrônica de terceira geração. DAT Journal, v. 6, n. 1, p. 355–372, 2021.
HAYLES, Katherine. Literatura eletrônica: novos horizontes para o literário. 1. ed. Passo Fundo: UPF Editora, 2009.
MACHADO, Arlindo. Arte e mídia. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.
Como citar este verbete
ROCHA, Rejane. Gerações de Literatura Digital. In: MOREIRA, Maria Elisa Rodrigues (org.). Glossário Audiovisual do LICEX. São Paulo, 2025. Disponível em: https://www.grupolicex.com/glossario-verbete/geracoes-de-literatura-digital. Acesso em: dia/mês/ano.
Rejane Rocha
No caso da literatura digital é irrefutável a ponderação de Arlindo Machado (2007), quando afirma que “toda a arte é feita com os meios do seu tempo”; isso porque, para a literatura digital, as tecnologias e linguagens digitais - hardwares, softwares, códigos e plataformas - não são apenas meios de divulgação ou suportes de inscrição, mas são também a própria matéria-prima que, aliada à matéria verbal e não verbal, é constitutiva dessa produção.
Na história da consolidação da literatura digital como produção que deveria ser compreendida a partir de especificidades relacionadas à mobilização dessas tecnologias - portanto nem sempre passível de compreensão a partir dos parâmetros e critérios advindos da literatura impressa -, o livro de Katherine Hayles (2009), Literatura eletrônica: novos horizontes para o literário, assume grande importância, ao reconhecer, descrever e discutir tais especificidades.
É com as proposições de Hayles que Leonardo Flores (2021) dialoga, ao apresentar uma periodização para a literatura digital, recusando a distinção entre literatura digital clássica e contemporânea, identificando, como fizera Hayles, a existência de uma “primeira geração”, anterior à criação da rede mundial de computadores, e identificando o aparecimento de uma segunda geração depois dela, já pautada na WWW e produzida, sobretudo, em sites autorais. A diferença, enfim, é que defende que a “segunda geração” se estende até os dias atuais e convive com uma “terceira geração”, que surge no momento da popularização das plataformas e APIs, tirando partido e/ou enfrentando os seus templates e as suas interfaces pré-definidos e fixos, as bases massivas de usuários e a regulação algorítmica.
A literatura digital de “terceira geração”, produzida no tempo das Big Techs, ou seja, da literatura digital que se vê engolfada pela lógica algorítmica que rege os dispositivos digitais e as disposições que os conformam, assim como são por eles conformadas, coloca em questão a noção de experimentalismo, que tem fundamentado as definições de literatura digital mais ou menos consensuais até hoje e que estavam na base das produções de primeira e de segunda gerações. Nesse sentido, mais do que uma periodização, as proposições de Flores dão uma volta a mais no parafuso da história da legitimação de produtos digitais como literatura digital.
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